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18/05 - Anfavea defende medidas de proteção ao emprego

Diante da crise da indústria automobilística, que já contabiliza o fechamento de 15 mil vagas no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, ao mesmo tempo em que mantém um dos maiores estoques dos últimos anos, a Anfavea, associação das montadoras instaladas no País, busca junto ao governo medidas de proteção ao emprego com o objetivo de melhorar o nivelamento entre trabalho e produção de acordo com a demanda, explica o presidente da entidade, Luiz Moan, que abriu os trabalhos do III Fórum de RH na Indústria Automobilística, promovido porAutomotive Business, na segunda-feira, 18, em São Paulo. Moan gravou entrevista exclusiva para o evento:

“Enquanto o layoff afasta o trabalhador em 100% do tempo, o Plano de Proteção ao Emprego faz adaptações da demanda: se uma crise aponta redução em 20% em uma das linhas de produção da fábrica, o afastamento será proporcional, também de 20%, reduzindo o tempo de trabalho e também proporcionalmente, o salário, que será pago, parte pela empresa e parte pelo governo, algo em torno de 50% e 40%, respectivamente”, aponta Moan.

O plano, que já ganhou o apelido de “seguro emprego”, em contrapartida ao seguro desemprego no Brasil parte do modelo praticado primeiro na Alemanha e que tem se difundido para outros países, cerca de 35 a 40 nações já utilizam planos semelhantes. Segundo Moan, o plano já apresentado ao governo sofreu adaptações de acordo com a cultura e sistema de trabalho brasileiro.

LEI DA TERCEIRIZAÇÃO

Ao mesmo tempo, as montadoras também buscam outras medidas que garantam maior segurança no âmbito jurídico, entre elas, o apoio ao Projeto de Lei (PL) 4330, que trata da regulamentação da terceirização, uma vez que as empresas têm utilizado todas as alternativas legais para conter o excesso de mão de obra atual, desde banco de horas – já esgotados na maioria das montadoras – até férias coletivas e programas de demissão voluntária (PDV), sendo que atualmente, a maioria dos afastamentos estão baseados em licenças remuneradas e layoff’s.

Para Moan, o maior benefício da medida é a segurança jurídica, enquanto dá as diretrizes legais sobre a relação e o modelo de trabalho para os diversos tipos de operação entre a empresa contratada e a contratante: “Não é um projeto perfeito, ainda faltam ajustes; mas não acredito em grande onda de terceirização. Na regra geral, a tendência das montadoras é manter o nível e o número de empregos efetivos”, declara.

Por sua vez, José Pastore, professor de relações do trabalho da FEA-USP, alerta para a necessidade de conhecimento mais profundo da nova lei, que passou pela Câmara dos Deputados e segue para votação no Senado. “É uma ilusão afirmar que as empresas vão terceirizar tudo. Setores estratégicos e os mais importantes e confidenciais nunca serão terceirizados”, disse. 

Pastore acena que o projeto de lei carece de revisão de detalhes para que não haja margem para a anulação do projeto em si, redesenho este que deverá ser feito nos âmbitos do Senado. Ele afirma ainda que a desinformação faz com que a sociedade civil se equivoque ao deduzir que a terceirização vai precarizar o trabalho. “Pelo contrário, é para ‘desprecariezar’ o que está precarizado, porque terceirização não é uma coisa nova, ela já existe e é uma realidade entre as empresas. Ela assegura direitos aos trabalhadores terceirizados que nem a CLT prevê, os mesmo direitos que os dos empregados das contratantes.” 

O professor também enfatiza que as empresas vão reavaliar e analisar profundamente a necessidade da terceirizar, uma vez que com a legislação, o serviço irá encarecer. “Não haverá onda de terceirização: só vai se terceirizar o que é necessário e onde ela se mostrar vantajosa. Vale lembrar que terceirizar significa divisão do trabalho e que o maior beneficiário disto é o consumidor: sem essa divisão, os preços dos produtos seriam inacessíveis”, indica. 

NOVO PAPEL DO RH

Já Roberta Yoshida, diretora de consultoria e gestão de capital humano da Deloitte, analisa que o papel do departamento de recursos humanos, diante de crises e novas realidades trabalhistas, é a de reestruturar as práticas buscando a inovação da gestão:

“É preciso ter coragem para evoluir a partir de uma revisão das práticas do departamento para fazer parte das discussões estratégicas da empresa. Nossa pesquisa anual aponta que 39% dos entrevistados, entre 3,3 mil líderes de RH de 106 países, incluindo o Brasil, enxergam como urgente a necessidade de requalificar a função do departamento, que não tem atendido de forma satisfatória a demanda.”


http://www.automotivebusiness.com.br/

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