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09/06 - Produção de carros volta ao nível de 2006

Diante do quadro econômico recessivo que não reage, as montadoras refizeram as contas e projetam para este ano produção de 2,585 milhões de veículos. Com esse volume, o País deve retroceder nove anos, voltando aos níveis de 2006, quando produziu 2,4 milhões de unidades.

É a segunda revisão feita no ano pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em janeiro, a aposta era de crescimento de 4,1%, em relação a 2014, com 3,2 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus.

O novo número, se confirmado, representará queda de 17,8%, na comparação com o ano passado, que já foi 15,2% menor que o de 2013. Até maio, a queda acumulada é de 19,1%, com 1,092 milhão de unidades. O resultado do mês passado foi o pior para maio em dez anos.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, espera uma pequena melhora no mercado no segundo semestre, mas admite que maio "ficou bastante abaixo das previsões". Isoladamente, o segmento de caminhões foi o mais afetado, com queda de 51,4%, ante a produção de um ano atrás. Foram feitas apenas 6.169 unidades, o menor volume para o mês desde 1999.

Além da paralisação geral na economia, Moan credita o resultado à restrição do crédito para financiamento, falta de confiança dos consumidores e demora na aprovação do pacote fiscal do governo, que também gera insegurança no mercado.

Pela nova previsão da Anfavea, as vendas - que até agora caíram 20,9% no acumulado do ano - devem manter esse índice de retração, fechando o ano com cerca de 2,8 milhões de unidades, voltando assim aos números de 2008, no auge da crise financeira internacional.

Somente as exportações devem apresentar pequena melhora de 1,1% no ano, com 338 mil unidades, puxadas especialmente pelo melhor desempenho das vendas ao México.

Demissões

Com produção e vendas desabando, as montadoras cortaram 6,3 mil postos de trabalho só neste ano, dos quais 1,4 mil em maio. A maioria das fábricas tem pessoal em férias coletivas ou lay-off (contratos de trabalho suspensos por até cinco meses).

Segundo a Anfavea, atualmente há 25 mil trabalhadores do setor em casa, o equivalente a 18% de todo o efetivo das montadoras, de 138,2 mil pessoas. A General Motors, por exemplo, colocará em férias a maioria dos trabalhadores da produção de suas cinco fábricas no País (incluindo duas de autopeças), em períodos que vão de 15 dias a um mês.

"Temos excedente nas fábricas, pois nosso nível de emprego equivale ao de 2010, enquanto a produção esperada é similar a de 2006", diz Moan.

Ele ressalta que as empresas buscam preservar o nível de empregos com medidas como as férias e o lay-off, mas não descarta novos cortes. O setor aguarda a aprovação, pelo governo federal, do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), proposto pelas empresas e as centrais sindicais.

Trata-se de um programa que prevê redução de jornada e salários dos trabalhadores, mas parte desse corte salarial seria bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Na visão da Anfavea, além de substituir gastos com salário desemprego, a medida prevê a continuidade da arrecadação de tributos, o que não ocorre com o lay-off.

Mesmo com os constantes cortes na produção em maio, os estoques nas fábricas e revendas foram reduzidos em apenas 6,1 mil veículos em relação a abril. Ainda há 361,1 mil veículos encalhados, o equivalente a 51 dias de vendas. (O Estado de S. Paulo/Cleide Silva)


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