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18/11 - PIB e sistema de preços são cegos ambientais, diz economista

Em um mundo assombrado pelas mudanças climáticas e uma série de outros problemas ambientais, muitos especialistas consideram o PIB (Produto Interno Bruto) uma métrica insuficiente para dar conta da complexidade dos desafios do desenvolvimento sustentável.


economista Eduardo Giannetti é um dos que defendem a necessidade de uma nova medida para calcular a riqueza e o desenvolvimento dos países. “O PIB é cego para os impactos ambientais das nossas atividades”, afirmou durante debate no EXAME Fórum Sustentabilidade realizado nesta terça-feira em São Paulo.


"Se uma comunidade tem acesso a água potável de graça com a mesma facilidade que temos ar, essa água disponível não entra nas contas do país. Mas se esse recurso é poluído e você precisa tratá-lo e revender água engarrafada, o que acontece com o PIB? Ele aumenta. Tem alguma coisa profundamente errada nessa contabilidade", apontou o economista.


 


Outro exemplo vem dos transportes. Conforme Giannetti, se uma pessoa mora perto do seu local de trabalho e vai andando para o escritório, isso não entra nas contas nacionais. Mas se ela precisa pegar transporte, carro, gastar gasolina e poluir, isso entra no PIB.


"A contabilidade do PIB é muito distorcida no que diz respeito ao que interessa à vida humana", destacou.


Para o economista, a mudança do PIB deve vir acompanhada também de uma reforma no sistema de preços, para que as mercadorias passem a incluir em seu preço final os custos ambientais de sua produção.


Isso vale, inclusive, para as decisões sobre a matriz energética. Se tivermos de escolher entre duas fontes, por exemplo - termelétrica a carvão ou eólica - em geral optamos pela mais "barata" em kWh. Mas se computarmos o CO2 emitido, é um custo absolutamente maior. O impacto ambiental acumulativo das nossas ecolhas tanto para produzir quanto para consumir não estão internalizados no preço dessa energia.


"Quando eu pego um avião para a Europa eu provavelmente estou emitindo mais CO2 do que um indiano do meio rural emite ao longo de um ano. No fundo, a contabilização está errada. Esse impacto tem que ser contabilizada", comparou Giannetti.


O economista reconhece, no entanto, que a precificação do carbono é um exercício complexo. Ele citou a investida da companhia British Airways que, diante da preocupação global com as emissões da aviação, resolveu oferecer aos passageiros a possibilidade de pagar um adicional para compensar as emissões do trajeto. A adesão dos passageiros foi de 3%. 


"Seria adorável pensar que as pessoas voluntariamente ajudariam. Mas duvido que isso aconteça", lamentou. 


No final, segundo Giannetti, a nova precificação não só demanda mudanças nos hábitos de consumo da sociedade como também gera novos comportamentos. 


Se um novo sistema de preços entra em cena, produtos como carne e carro veriam seus preços escalar, uma vez que são originados de atividades com intensas emissões de gases efeito estufa.


 


http://exame.abril.com.br/economia/noticias/pib-e-sistema-de-precos-sao-cegos-ambientais-diz-economista

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