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27/11 - Montadoras veem novo ambiente na Argentina

Valor Econômico


 


A indústria automobilística recebeu com otimismo a vitória do candidato oposicionista Mauricio Macri nas eleições de domingo passado na Argentina, destino, nos bons tempos, de quatro em cada cinco veículos exportados pelas montadoras brasileiras.


 


Foram bem vistas as declarações do presidente eleito de fortalecimento das relações comerciais no Mercosul, bem como a promessa de liberação da compra de dólares, que suscitaram expectativas tanto de avanços na estratégia das marcas de integração regional quanto de remoção de barreiras que dificultaram o fluxo do comércio bilateral nos últimos anos do governo de Cristina Kirchner.


 


Da mesma forma, espera­se que a inevitável desvalorização do peso dê melhor competitividade para a economia argentina, a qual, capitaneada por um governo pró­mercado, poderá recuperar a credibilidade para acessar novamente investidores internacionais. Grupos como Randon, fabricante de autopeças e implementos rodoviários, e Agrale, fabricante de tratores agrícolas, caminhões leves e chassis de ônibus, já falam na possibilidade de retomar os investimentos no país.


 


A ponderação é que o futuro governo terá de saber dosar a liberação do câmbio prometida por Macri, sob o risco de produzir maxidesvalorização, seguida por hiperinflação, com impacto nos custos de produção da indústria local, assim como nos preços de produtos brasileiros comercializados no país vizinho.


 


O compromisso feito por Macri na campanha de dar fim às taxas cobradas nas exportações de soja, trigo, milho e carne animou, em especial, o setor de caminhões, na esperança de engordar a carteira de encomendas do agronegócio argentino. Há, contudo, dúvidas sobre como o próximo presidente, que tomará posse no dia 10 de dezembro, vai conciliar pacotes de bondade, como a desoneração das exportações de grãos, com a urgência de equilibrar as contas públicas.


 


Principal destino das montadoras brasileiras no exterior, a Argentina comprou do Brasil mais de 475 mil veículos ­ 80% das exportações totais ­ em 2013. No ano passado, o volume caiu 46%, para 255,5 mil, como resultado da derrocada do mercado local, em conjunto com restrições da Casa Rosada, como o fim das licenças automáticas de importações, e a escassa liberação de dólares pelo banco central argentino para pagamento dos produtos importados. Essas dificuldades levaram montadoras como General Motors (GM) e Renault a suspender temporariamente as exportações de carros ao parceiro do Mercosul, dando prioridade ao envio de peças às filiais do outro lado da fronteira.


 


Por isso, a possibilidade de mudança de rumo na política argentina ­ em direção, conforme se espera, ao menor intervencionismo e à maior liberalização do comércio ­ empolgou dirigentes de montadoras no Brasil, de onde são comandados os negócios das multinacionais no país vizinho.


 


“O resultado das eleições na Argentina foi uma surpresa positiva. Somos líderes nos mercados de ônibus, caminhões e utilitários leves no país, mas estávamos sofrendo dificuldades em fazer negócios na Argentina pela falta de dólares. Isso limitou significativamente nossos volumes”, afirma o presidente da Mercedes­Benz, Philipp Schiemer. Ele diz que a marca alemã tem potencial de exportar o dobro dos cerca de 3 mil caminhões que serão embarcados do Brasil para a Argentina neste ano.


 


Concorrente da Mercedes, a MAN, que destina 30% das exportações brasileiras à Argentina, deve exportar aos vizinhos quase 2 mil veículos em 2015, entre caminhões e ônibus. Mas o presidente da montadora na região, Roberto Cortes, diz que o volume chegou a alcançar 3 mil unidades por ano num passado recente. “Esse é o número que almejamos”, afirma. Para Cortes, a eleição de Macri abre o caminho para melhorar os índices de confiança de empresários e consumidores argentinos, levando à retomada do crescimento econômico.


 


A Randon e a Agrale ­ duas empresas com sede no Rio Grande do Sul e fortes vínculos com a Argentina ­ já falam em investimentos para aumentar a produção no país vizinho. As companhias esperam que as relações comerciais da Argentina com o Brasil melhorem com a remoção de entraves como a política do “uno por uno”, que exige que as empresas locais façam exportações equivalentes às importações. Também têm expectativa de que a futura administração adote uma política cambial mais realista, com desvalorização do peso, o que estimularia as exportações das fábricas argentinas.


 


“A perspectiva é boa”, afirma o diretor da Randon, divisão montadora, Alexandre Gazzi. Na opinião dele, se o futuro presidente abrir a economia e cumprir a promessa de estabelecer uma relação mais “dinâmica” com o Brasil, a empresa terá condições de, até o fim do próximo governo, dobrar a participação no mercado local de reboques e semirreboques rodoviários, que hoje é de 10%, ou mil implementos rodoviários por ano. Desse total, dois terços são produzidos na fábrica local, que opera desde 1992 na cidade de Rosário, e um terço é exportado das unidades brasileiras do grupo.


 


Num cenário mais favorável, a empresa, diz Gazzi, também pode investir para ampliar a produção e a eficiência da fábrica de Rosário para de lá suprir outros mercados como Chile e Uruguai e até enviar componentes e produtos complementares ao Brasil.


 


A Agrale, por sua vez, admite ampliar a fábrica inaugurada em 2008 em Mercedes, na província de Buenos Aires, onde produz tratores, chassis para ônibus e caminhões leves, diz o presidente da empresa, Hugo Zattera.


 


A expectativa é que, num cenário mais favorável, a unidade possa exportar para outros mercados da América Latina e até da África e do Oriente Médio, como previam os planos originais que acabaram naufragando por conta da política cambial adotada até agora. “A Argentina precisava de uma correção de rumo”, diz Zattera. (Valor Econômico/Eduardo Laguna e Sérgio Ruck Bueno)

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